Pró-labore no salão: quanto tirar sem quebrar o caixa
Um jeito de calcular quanto você pode tirar do salão todo mês sem faltar dinheiro pra fornecedor, aluguel ou funcionário.
Por que essa conta trava tanta dona de salão Tem um jeito comum de tirar dinheiro do salão: quando falta em casa, tira; quando sobra na gaveta, tira mais um pouco. O problema não é tirar — é tirar sem saber quanto o negócio aguenta perder naquele mês. Esse é o motivo mais comum de salão que fatura bem e ainda assim atrasa fornecedor ou aluguel: o dinheiro saiu antes de pagar o que era do negócio. Pró-labore é justamente isso: o valor fixo que você define pra tirar todo mês, calculado a partir do que sobra depois das contas — não do que entrou no caixa naquele dia. MEI não tem pró-labore formal — e isso muda a conta Se o seu salão é MEI (caso da maioria de cabeleireiras, manicures e esteticistas que trabalham por conta própria), não existe obrigação de declarar um valor de pró-labore nem de recolher INSS separado sobre o que você retira. A contribuição previdenciária do titular já está embutida na guia mensal (o DAS), e a retirada do lucro é livre — não gera uma cobrança nova. Isso não quer dizer que vale tirar qualquer valor a qualquer hora. Quer dizer que a única coisa que te protege de quebrar o caixa é o cálculo que você mesma faz, porque não tem uma regra formal fazendo esse controle por você. Já quem tem sociedade limitada (mais de um sócio, CNPJ que não é MEI) precisa declarar um pró-labore formal para quem administra o negócio, com desconto de INSS do sócio-administrador — geralmente 11% sobre o valor definido . Se esse é o seu caso, vale conversar com a contadora antes de fixar o número, porque esse desconto entra direto no cálculo. Passo 1: separe o que é do salão do que sobra pra você Antes de decidir quanto tirar, separe o dinheiro que entra em três grupos: Custo fixo: aluguel, energia, internet, sistema de agendamento, salário e encargos de quem trabalha com você. Custo variável: produto usado no atendimento, comissão de profissional, taxa de cartão. Reserva: uma parte guardada pra imposto (o DAS, se for MEI), manutenção de equipamento e os meses de faturamento mais fraco. Só depois de tirar esses três grupos do faturamento do mês é que sobra o valor de onde sai o pró-labore. Tirar primeiro e ver se sobra pra pagar o resto é a ordem que quebra o caixa. Passo 2: calcule o teto — quanto dá pra tirar sem sufocar o negócio Pegue o faturamento médio dos últimos meses (não só o melhor mês) e subtraia custo fixo, custo variável e a parcela da reserva. O que sobra é o teto do seu pró-labore naquele momento. Um exemplo pra ilustrar a lógica, com números fictícios: salão fatura em média R$ 9.000 por mês; custo fixo de R$ 2.800; custo variável de R$ 1.900; reserva de R$ 600. Sobram R$ 3.700 disponíveis. Esse valor não precisa (e geralmente não deve) ser retirado inteiro — parte dele pode ficar no caixa como colchão pro mês seguinte. O ponto não é o número em si, é a ordem da conta: primeiro as obrigações do negócio, depois o seu pró-labore, nunca o contrário. Passo 3: o piso — por que não vale tirar pouco demais Tirar um valor simbólico “pra deixar sobrar mais no caixa” costuma sair caro de outro jeito: sem uma retirada fixa e previsível, fica difícil saber se o preço que você cobra pelos serviços realmente paga o seu trabalho, e é comum acabar puxando dinheiro do salão em momentos de aperto pessoal, sem planejamento nenhum. Se você tem sociedade limitada e precisa declarar pró-labore formal, o valor mínimo não pode ficar abaixo de um salário mínimo — R$ 1.621 em 2026 . MEI não tem esse piso legal, mas vale usar a mesma referência como base de bom senso: um pró-labore abaixo disso raramente remunera de fato o tempo de trabalho de quem administra e atende ao mesmo tempo. O que muda no bolso do MEI em 2026 Pra quem presta serviço como MEI — caso da maioria dos salões —, o DAS mensal em 2026 é de R$ 86,05: R$ 81,05 de INSS (5% do salário mínimo de R$ 1.621) mais R$ 5,00 de ISS . Esse valor já entra na conta do custo fixo, antes de chegar no pró-labore. Vale também de olho no teto: o limite de faturamento do MEI em 2026 é de R$ 81.000 por ano , o equivalente a uma média de R$ 6.750 por mês. Se o salão está caminhando pra passar disso, é hora de planejar com a contadora a migração pra outro enquadramento — passar do limite sem perceber costuma gerar cobrança retroativa. Erros que sufocam o caixa mesmo quando o salão vai bem Misturar conta pessoal e do salão. Sem conta separada, não dá pra saber o que é custo do negócio e o que é gasto de casa — e sem essa separação, nenhuma conta de pró-labore se sustenta. Tirar um percentual fixo do faturamento bruto. Faturamento bruto não desconta produto, comissão nem imposto. Um percentual que parecia seguro num mês de movimento forte pode quebrar o caixa num mês fraco. Não ter reserva pra mês fraco. Salão tem sazonalidade — datas de menor movimento variam por região e tipo de serviço. Sem uma parte guardada, o pró-labore do mês bom acaba cobrindo o rombo do mês ruim, e a retirada deixa de ser previsível. Quando revisar o valor