Pró-labore no salão: quanto tirar pra você sem sufocar o caixa
Tirar dinheiro do salão sem critério é o jeito mais rápido de travar o caixa no mês seguinte. Veja a diferença entre pró-labore e lucro, e como calcular um valor fixo que cabe no seu negócio.
Por que "pegar da gaveta" sempre sobra errado Se a sua retirada do salão varia de mês pra mês — mais quando o caixa está cheio, menos quando aperta — não é pró-labore, é desespero com nome bonito. E é esse o motivo de faturar bem em um mês e ainda assim não ter dinheiro pra pagar produto ou comissão no mês seguinte. O Sebrae Minas Gerais explica a diferença que resolve esse problema: pró-labore é o salário de quem trabalha no dia a dia do negócio, e precisa ser fixo — pago todo mês, independente do salão ter lucrado mais ou menos. Lucro é outra conta: é o que sobra depois de pagar tudo, inclusive esse pró-labore, e pode variar. Misturar os dois é o erro mais comum: a dona do salão retira "o que sobrou no caixa" em vez de um valor combinado com ela mesma, e perde a régua pra saber se o negócio está indo bem ou só parecendo ir bem porque o cartão ainda não caiu. Primeiro separe o que não é seu: custo fixo, produto, comissão e imposto Antes de pensar em quanto tirar, risque do faturamento o que já tem dono: Aluguel, conta de luz, água, internet e assinatura de sistema; Produto e insumo usado nos atendimentos do mês; Comissão das profissionais que atendem no salão; Imposto sobre o faturamento (DAS do Simples Nacional, se for esse o seu regime). Só depois dessa conta aparece o valor real que existe pra dividir entre o seu pró-labore e o que fica de reserva ou investimento no salão. O cálculo, com números de um mês comum Pega um salão pequeno, com faturamento de R$ 15.000 no mês: Aluguel + contas fixas: R$ 2.800 Produto e insumo: R$ 1.800 Comissão das profissionais: R$ 4.200 Imposto (Simples Nacional): R$ 900 Total de saídas: R$ 2.800 + R$ 1.800 + R$ 4.200 + R$ 900 = R$ 9.700 . Sobra pra dividir: R$ 15.000 − R$ 9.700 = R$ 5.300 . É esse R$ 5.300 que vira pró-labore mais reserva — não o faturamento de R$ 15.000, e não o que estiver na conta no dia 30. Se a dona desse salão fixar o pró-labore em R$ 3.500 por mês, sobram R$ 1.800 pra reserva de emergência, manutenção de equipamento ou mês fraco. No mês em que vender menos, o pró-labore continua R$ 3.500 — o que varia é quanto fica de reserva, não o seu salário. Passo a passo pra definir o seu valor Some todas as saídas fixas do mês (a lista acima) usando a média dos últimos três meses, não o mês mais fraco nem o mais forte. Subtraia essa soma do faturamento médio mensal. O que sobra é o teto — nunca retire mais que isso de forma recorrente. Dentro desse teto, escolha um valor fixo que cubra suas contas pessoais. Esse número é o seu pró-labore. Transfira esse valor pra uma conta pessoal separada da conta do salão, todo mês, no mesmo dia. Parece burocracia, mas é o que evita a tentação de tirar "um pouco mais" numa semana de caixa cheio. Revise o valor de tempos em tempos — quando o salão contratar mais gente, mudar de ponto ou o seu custo de vida mudar — mas sempre como decisão consciente, não como reação ao saldo do dia. Erros que fazem esse cálculo não bater Dois enganos aparecem com frequência: Calcular sobre faturamento, não sobre o que sobra. Tirar um percentual direto do que entrou — sem descontar comissão, produto e imposto — significa, na prática, antecipar lucro que ainda não existe. O caixa fecha o mês no vermelho mesmo com a agenda cheia. Misturar conta do salão com conta pessoal. Sem separação, toda compra pessoal parece "gasto do negócio" e todo gasto do negócio parece "dinheiro disponível". Ter duas contas bancárias — mesmo as duas no seu nome, se o salão ainda não é pessoa jurídica — já corta esse problema pela raiz. Se o salão já é MEI ou ME com você como sócia, vale conferir com um contador qual o valor de pró-labore faz sentido declarar no seu caso: isso tem efeito direto em quanto você contribui pro INSS e em quanto conta pra sua aposentadoria. Onde isso se conecta com o resto da gestão Esse cálculo só é confiável se o resto do financeiro já estiver organizado — comissão fechando certo, caixa do dia batendo com o que entrou. Ferramentas como o GlowOps ajudam nessa base ao puxar faturamento e comissão por profissional automaticamente, mas a decisão de quanto você tira pra você mesma continua sendo sua, mês a mês.