Ficha de anamnese no salão: o que perguntar antes do primeiro atendimento
Uma lista de perguntas fixa evita esquecer o que importa e documenta o que foi informado antes do procedimento — veja o que perguntar, guardar e quando atualizar.
Por que vale ter uma ficha, e não só perguntar de cabeça Perguntar "tem alergia a alguma coisa?" de improviso, no meio do atendimento, tem dois problemas: a profissional esquece de perguntar algo importante quando a agenda está cheia, e não fica registro de nada. Se der problema depois — uma reação alérgica, uma coloração que não pegou como devia — não há como mostrar o que foi perguntado e respondido antes do procedimento. A ficha de anamnese resolve os dois: garante que a mesma lista de perguntas é feita pra toda cliente, e vira documento que protege o salão e a profissional se precisar provar o que foi informado. As perguntas que não podem faltar Adapte à lista de serviços do seu salão, mas estas cobrem a base que qualquer procedimento de beleza pede: Dados de identificação: nome completo, data de nascimento, telefone, e-mail. Tem algum problema de saúde relevante para o procedimento (pressão alta, diabetes, problema de pele, gravidez)? Faz uso de algum medicamento? Qual? Já fez cirurgia relacionada à área que vai ser atendida? Tem alergia a algum cosmético, produto químico ou metal? Já fez esse procedimento antes? Em outro lugar? Teve alguma reação? Está em algum tratamento que contraindique o procedimento (quimioterapia, uso de ácido, outro tratamento estético recente)? O que motivou a busca por esse atendimento — qual o resultado que espera? Pergunte de forma clara e direta, sem termo técnico que deixe a cliente insegura pra responder. E depois de preencher, leia o resumo em voz alta pra ela confirmar — é comum lembrar de um detalhe só quando ouve a própria resposta. Ficha livre ou ficha dirigida Ficha livre é um campo em branco pra cliente contar o que achar relevante. Ficha dirigida é uma lista fixa de perguntas que a profissional segue sempre. Para o dia a dia do salão, a dirigida funciona melhor: ela não depende de a cliente lembrar sozinha do que é importante, e garante que toda profissional da equipe pergunta a mesma coisa, não só a mais experiente. Dado de saúde é dado sensível: o que muda na prática A LGPD (Lei 13.709/2018) classifica dado referente à saúde como dado pessoal sensível, no art. 5º, inciso II. Isso significa duas coisas concretas pro salão: primeiro, o art. 11 da mesma lei exige consentimento específico e destacado da cliente para tratar esse tipo de dado — não basta o aceite genérico de termos de uso; segundo, o salão responde se esse dado vazar ou for usado fora da finalidade que a cliente autorizou. Veja o texto da lei no Planalto . Na prática: peça a assinatura (física ou digital) da cliente na própria ficha, autorizando o uso daquele dado para o atendimento, e não compartilhe a ficha fora da equipe que atende. Como guardar sem virar risco Ficha em papel em cima do balcão, à vista de quem passa, é o jeito mais comum de uma informação de saúde vazar sem ninguém perceber. Duas saídas simples: Papel: pasta com fichas organizadas por ordem alfabética, guardada em gaveta ou armário que tranca, fora do alcance de quem não atende. Digital: planilha ou sistema de agendamento com campo de observações, com senha de acesso restrita a quem atende — não um documento compartilhado que qualquer pessoa da equipe abre. Qualquer que seja o formato, o princípio é o mesmo: só vê quem precisa pra atender. Quando atualizar a ficha Não é um documento que se preenche uma vez só. Revise a cada retorno se mudou medicação, se engravidou, se fez outro procedimento entre uma visita e outra, ou se teve alguma reação que vale registrar pra próxima vez. Uma ficha desatualizada vale tanto quanto não ter ficha — a informação que protege é a que reflete o estado atual da cliente, não o de seis meses atrás.