Clientes homens no salão de beleza: vale a pena investir nesse público
A estética masculina cresce no Brasil e já bate na porta de salões que nunca pensaram nesse público. Veja se faz sentido pro seu negócio e como testar sem virar tudo de cabeça pra baixo.
O homem já é cliente de estética no Brasil — só não é cliente do seu salão ainda Se você atende só mulheres, pode parecer que homem em salão de beleza é exceção. Os números do setor dizem outra coisa. Segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), o Brasil é o segundo maior mercado do mundo em produtos de beleza masculinos, atrás apenas dos Estados Unidos, e o setor de beleza e cuidados pessoais como um todo faturou cerca de R$ 200 bilhões em 2025 , ocupando o terceiro lugar no ranking mundial de mercados consumidores. Dentro desse total, o público masculino deixou de ser nicho. Levantamentos do setor de estética apontam que homens já representam cerca de 30% da clientela das clínicas de estética no país, e que os procedimentos estéticos masculinos cresceram mais de 30% nos últimos anos. Isso não significa que todo salão precisa virar unissex amanhã — significa que o cliente homem parou de ser um caso raro pra virar uma fatia de mercado que alguém no seu bairro já está atendendo. Por que isso interessa a um salão de manicure, sobrancelha ou cílios A notícia de estética masculina costuma vir ilustrada com barbearia premium, e é fácil achar que não tem nada a ver com o seu negócio. Mas o comportamento que sustenta esse crescimento — homem cuidando da aparência com a mesma naturalidade que cuida da saúde — não para no corte de cabelo. Reportagens do setor mostram barbearias que deixaram de oferecer só corte e barba e passaram a incluir manicure, design de sobrancelha, depilação e tratamentos faciais no mesmo espaço, porque o cliente já pedia. Ou seja: o homem que hoje corta o cabelo numa barbearia é o mesmo que, em algum momento, vai perguntar se ali (ou num salão perto) também dá pra fazer a unha, alinhar a sobrancelha ou tirar aquele pelo do nariz que incomoda. Quem já tem estrutura, cadeira e profissional treinado só precisa decidir se quer responder "sim" a essa pergunta. Os serviços que mais aparecem quando o público masculino entra no salão Design de sobrancelha — geralmente o primeiro serviço "de salão" que um cliente homem experimenta, por ser rápido e discreto. Manicure e pedicure — cresce puxado por quem trabalha em contato com o público e cuida da aparência das mãos por rotina profissional. Depilação (nariz, orelha, corporal) — um dos itens mais citados como cuidado que virou rotina e não mais tabu. Skincare facial básico — limpeza de pele e hidratação, puxado pela informação que chega pelas redes sociais. Nenhum desses serviços exige comprar equipamento novo ou treinar a equipe do zero — são, na maioria dos casos, os mesmos serviços que você já oferece, para um cliente que ainda não sabia que podia vir. O que muda no atendimento (não é só abrir a porta) Aceitar cliente homem não é só não recusar quando ele perguntar. Alguns pontos práticos que fazem diferença: Comunicação — se toda a divulgação do salão fala "para você e suas amigas", o homem não se sente convidado, mesmo que você atenda sem problema. Vale ter ao menos uma peça de divulgação neutra ou específica. Horário — muitos clientes homens preferem evitar o horário de pico de sábado à tarde por vergonha ou pressa. Oferecer um horário mais tranquilo (início de manhã, começo de semana) reduz a fricção de vir pela primeira vez. Privacidade — para depilação ou procedimentos faciais, ter um espaço reservado (mesmo que uma cadeira mais isolada) ajuda mais do que qualquer script de venda. Preço — não é preciso criar uma tabela paralela "masculina" mais cara só porque é novo. O serviço é o mesmo; o preço deveria ser o mesmo. Vale a pena investir? Como testar sem reformar o salão inteiro Não dá pra prometer retorno financeiro — isso depende do seu bairro, da sua clientela atual e da concorrência. Mas dá pra testar com risco baixo antes de decidir investir pesado: Divulgue um serviço específico (sobrancelha ou manicure) mencionando explicitamente "atendemos também clientes homens" numa história ou post, e veja se gera pergunta. Pergunte às suas clientes atuais se o marido, filho ou colega de trabalho já demonstrou interesse — boca a boca costuma ser a primeira porta de entrada nesse público. Não crie uma "linha masculina" de produtos ou uma sala separada antes de ter cliente recorrente. Comece com o que já existe. Se depois de um ou dois meses o interesse não aparecer, não tem problema nenhum em não seguir por esse caminho — significa que, no seu contexto, a demanda ainda não está lá. O objetivo aqui é testar barato, não reformar a operação em cima de uma tendência nacional que pode não bater com a sua rua. O erro mais comum: copiar a estética de barbearia sem testar a demanda local O erro que mais aparece é o salão investir em decoração, produtos e comunicação "para homem" — muitas vezes cara — antes de confirmar que existe cliente disposto a vir. Tendência nacional não garante demanda no seu bairro. Comece pequeno, com o que você já tem, e deixe